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Pesquisa6 de agosto de 20267 min de leitura

Imunoconjugados no HER2-positivo: o que o DESTINY-Breast09 mudou na primeira linha

Equipe editorial Aura Saúde

Redação a partir de estudos e documentos públicos, com as fontes citadas em cada artigo

Este artigo ainda não passou por revisão clínica. As fontes usadas estão listadas ao final do texto. Nossa política editorial.

Em resumo

Na doença HER2-positiva avançada, o esquema com trastuzumabe deruxtecana somado a pertuzumabe alcançou 40,7 meses sem progressão da doença, contra 26,9 meses do esquema padrão — cerca de 14 meses de diferença na mediana.

Imunoconjugados, ou ADCs (do inglês antibody-drug conjugates), são medicamentos formados por duas partes ligadas entre si: um anticorpo, que reconhece uma proteína na superfície da célula tumoral, e um quimioterápico potente acoplado a ele. A ideia é usar o anticorpo como endereço — a quimioterapia é liberada preferencialmente onde o alvo está, em vez de circular igualmente por todo o corpo.

Essa classe foi o assunto central em câncer de mama nos congressos de 2026, e o estudo que concentrou mais atenção foi o DESTINY-Breast09.

O que o estudo comparou

O DESTINY-Breast09 é um estudo de fase 3 em pessoas com câncer de mama HER2-positivo localmente avançado ou metastático que ainda não haviam recebido tratamento para a doença avançada. Ele comparou duas estratégias de primeira linha:

  • trastuzumabe deruxtecana (um ADC) somado a pertuzumabe;
  • o esquema padrão até então: um taxano combinado a trastuzumabe e pertuzumabe.

O resultado principal

A mediana de sobrevida livre de progressão — o tempo até a doença voltar a crescer ou o desfecho de óbito, o que ocorresse primeiro — foi de 40,7 meses no grupo do imunoconjugado, contra 26,9 meses no esquema padrão. Isso representa uma redução de 44% no risco de progressão ou morte.

Vale entender o que é uma mediana: metade das pessoas do estudo teve tempo maior que esse valor, metade teve tempo menor. Não é uma previsão individual. Duas pessoas com o mesmo diagnóstico e o mesmo tratamento podem ter trajetórias bem diferentes.

Quanto tempo até a doença voltar a progredir

Mediana de sobrevida livre de progressão, em meses

Trastuzumabe deruxtecana + pertuzumabe

40,7 meses

Taxano + trastuzumabe + pertuzumabe (esquema padrão)

26,9 meses
012243648

Escala em meses

DESTINY-Breast09: mediana de sobrevida livre de progressão em câncer de mama HER2-positivo localmente avançado ou metastático, em primeira linha. Mediana significa que metade das participantes ficou acima e metade abaixo desse tempo — não é uma previsão individual.

Profundidade da resposta importa

Uma análise apresentada em 2026 olhou não só para quem respondeu, mas para o quanto o tumor diminuiu. No grupo do imunoconjugado, 15% das pessoas tiveram resposta completa e 37% tiveram uma resposta parcial profunda — redução de 80% a 99% do tumor. Outros 34% tiveram resposta parcial entre 30% e 79%, e 14% ficaram com doença estável ou em progressão.

A profundidade da resposta se correlacionou com o que veio depois: entre quem teve resposta completa, 85% seguiam sem progressão em 24 meses; entre as respostas parciais profundas, 80%; nas respostas parciais menores, 64%; e no grupo de doença estável ou em progressão, 36%.

Não é só o HER2-positivo

Os imunoconjugados avançaram também em outros subtipos. No estudo de fase 3 TROPION-Breast02, o datopotamabe deruxtecana prolongou de forma estatisticamente significativa o tempo até a terapia seguinte: mediana de 10,9 meses, contra 5,6 meses com quimioterapia.

Relatos de prática clínica descrevem um perfil de efeitos colaterais diferente do da quimioterapia tradicional em alguns aspectos — com menor frequência de queda de cabelo, queda de células do sangue ou náusea grave. Isso não quer dizer ausência de efeitos adversos: cada ADC tem os seus, alguns exigem monitoramento específico, e a avaliação é sempre individual.

O que isso não responde

Estudos de primeira linha na doença avançada não se transferem automaticamente para outros cenários — estádios iniciais, outras linhas de tratamento ou outros subtipos têm evidências próprias. Disponibilidade também é outra conversa: aprovação regulatória, incorporação ao SUS e cobertura por planos de saúde seguem processos distintos, com prazos próprios.

Se você está em tratamento para doença HER2-positiva, o lugar dessa informação é numa conversa com seu oncologista sobre o seu caso — não numa decisão tomada a partir de um artigo.

Conteúdo informativo, produzido a partir de estudos e documentos públicos citados em cada artigo. Não substitui orientação, diagnóstico ou conduta de profissionais de saúde — resultados de pesquisa descrevem populações estudadas, não o seu caso. Converse sempre com sua equipe assistencial antes de qualquer decisão sobre o tratamento.

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